Personagem da Semana
Leona Cavalli, a Dália de "Duas Caras", da Globo - Foto: Pedro Paulo Figueiredo/CZN - Data: 17/10/07 - A menção dos créditos é obrigatória
As aparências enganam
Com aparência frágil, Leona Cavalli vive a forte Dália de "Duas Caras"
por Kelly Valente
PopTevê
Leona
Cavalli tem até uma aparência frágil, muito "magrinha" e delicada.
Mas a atriz já provou, ao longo de sua carreira, o potencial de se transformar
em cena. Com bons papéis no currículo, como a Justine de "Amazônia -
De Galvez a Chico Mendes" e a golpista Valdete de "Belíssima", Leona
foi conquistando personagens cada vez mais complexos. Hoje, ela encara mais um
deles, novamente no horário nobre: a ex-drogada Dália de "Duas Caras".
Além dos problemas com entorpecentes, ela vai se apaixonar pelo homossexual
Bernardinho, vivido por Thiago Mendonça. Para a atriz, tudo não passa de acaso.
"Não posso atribuir esses papéis a nada que não seja à sorte",
acredita.
Ao mesmo tempo, ela tem consciência de
que o rico trabalho no teatro, em que já foi dirigida por grandes mestres como
Paulo Autran, Lélia Abramo e Zé Celso Martinez Corrêa, corroborou para os papéis
fortes para os quais é convidada a fazer. "Acho que os convites de agora
até têm a ver com minha experiência, mas no começo não tinham", conta.
Aos 15 anos, Leona trocou a
tradicional festa de debutante por uma viagem que não teria volta. A atriz foi
para Londres e lá assistiu a uma peça que lhe convenceu, de vez, de que seria
atriz. Como os pais – habitantes da pequena Rosário do Sul, no Rio Grande do Sul
– eram contra a carreira, ela ameaçou não voltar caso eles não permitissem que
ela fosse para Porto Alegre estudar Artes Cênicas. A ameaça funcionou e ela
retornou ao país para estudar o que queria na capital gaúcha. "Nunca quis
fazer outra coisa da vida", afirma.
P - Como é encarar seu primeiro
papel do começo ao fim de uma novela depois de experiências tão ricas no teatro?
R - Acho que é uma grande oportunidade de renovação. Não acredito em um
estilo que você mantém acima de tudo. Acho que você vai se transformando.
Interpretar em um veículo novo e com um público diferente é uma oportunidade de
crescimento. A interpretação sempre parte de um mesmo princípio, que é o coração
da personagem. Mas na televisão é um período curto de ensaios e longo de obra.
Já no teatro é o oposto. Ao mesmo tempo é uma obra aberta em que estou começando
e não sei exatamente para onde a personagem vai. É uma outra forma de ser ao
vivo.
P - E qual é a principal diferença
entre os dois veículos?
R - Na novela, a gente tem muitas cenas com coisas normais do dia-a-dia,
muito cotidianas. E isso é mais difícil de acontecer no cinema e no teatro,
porque normalmente é um grande acontecimento que você tem de contar naquela uma
hora e meia, duas horas, de espetáculo. Na tevê há a possibilidade de um olhar
mais cotidiano. E, como a maioria das coisas que acontecem nas nossas vidas são
cotidianas e só algumas são extraordinárias, é uma alegria poder representar
coisas do dia-a-dia na tevê.
P - Sente diferença de formação
quando contracena com atores que não têm experiência fora da tevê?
R - Acho que cada um tem seu caminho. A gente não escolhe exatamente. Tem as
opções que você faz durante o trajeto. Cada um tem e traz uma autenticidade que
só enriquece.
P - Você chegou a fazer alguma
pesquisa mais profunda sobre drogas para interpretar a Dália?
R - Não cheguei a fazer muita pesquisa porque infelizmente hoje em dia isso
é uma coisa comum e que a gente conhece. Assisti a alguns filmes, como "Eu,
Christiane F., 13 Anos, Drogada, Prostituída" e documentários sobre grupos
de rock dos anos 70. Não muito mais do que isso, porque ela já está largando e o
foco da personagem não é muito esse. Além disso, quando o texto é bem escrito
como é o do Aguinaldo você não precisa fazer "laboratório". Ele
diz tudo.
Aniversários da semana
de 21 a 27 de outubro
21/10 – Fernanda Rodrigues, 28 anos.
22/10 – Ana Furtado, 33 anos, e Ana Beatriz Nogueira, 40.
23/10 – Bianca Byington, 44 anos. Nesta data, há 26 anos, ia ao ar o
último capítulo da novela "O Amor é Nosso". Escrita por Roberto Freire e
Wilson Aguiar Filho, substituído mais tarde por Walther Negrão, a trama abordava
o comportamento e os conflitos de jovens como Pedro, vivido por Fábio Jr.. O
personagem era um cantor iniciante, que buscava o reconhecimento. O protagonista
conhecia Nina, interpretada por Myriam Rios, que logo se apaixonava por ele, mas
ficava dividida entre ele e Chico, de Stepan Nercessian. A grande quantidade de
tramas paralelas confundiu o público e a novela acabou tendo um de seus autores
substituídos no meio da trama.
24/10 – Rosamaria Murtinho, 72 anos.
25/10 – Pedro Vasconcelos, 33 anos.
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