Outras Paradas
Fotos de Marcelo Médici, o Fládson, de "Belíssima", na peça "Cada Um Com Seus
Pobrema". Luiza Dantas/CZN - Data: 01/03/2006 - A menção dos créditos é
obrigatória
Cheio de graça
Marcelo Médici, o gago Fládson de "Belíssima", interpreta nove "tipos" no
monólogo "Cada Um Com Seus Pobrema"
por Natalia Castro
PopTevê
Quando a peça "Cada Um Com Seus Pobrema" estreou em São Paulo, em agosto
de 2004, a previsão era de que ela ficasse apenas dois meses em cartaz.
Entretanto, para a surpresa de seu protagonista Marcelo Médici, o Fladson de
"Belíssima", a temporada se estendeu por um ano, sempre com a casa cheia. "Se eu
conseguisse pagar o aluguel durante dois meses já estaria ótimo. A casa lotou
apenas no boca a boca", surpreende-se.
No monólogo, Marcelo se divide entre nove personagens. Um surfista
carioca "cabeça oca", Yumi, uma empresária coreana "dura na queda", uma smurfete
alcoolizada, Tia Penha, uma apresentadora infantil "supersincera", um mico leão
gay, uma empregada doméstica, uma mãe de santo inspirada na Branca de Neve,
Sanderson, um corintiano fanático e um ator desiludido. A história é contada
para o público através do ator iniciante, personagem que critica a situação do
teatro brasileiro com muita sutileza. Para não cair no conceito "piada pela
piada", Marcelo elaborou os personagens com cuidado, a fim de não despertar
nenhum resquício de preconceito no público. "Há uma linha muito tênue entre
humor e preconceito", afirma. "Não posso subestimar as pessoas", preocupa-se o
ator que aproveitou a ocasião para exorcizar suas próprias críticas. "Dou a
minha opinião através deles", entrega.
Desde o início do ano no Rio de Janeiro, "Cada Um Com Seus Pobrema" foi
originada a partir do espetáculo "Terça Insana", de Grace Gianoukas, que em 2001
serviu de vitrine para muitos atores exporem seus "tipos". Marcelo participou
durante um ano da produção. E saiu porque não queria ficar reconhecido apenas
como comediante. "Antes de tudo eu sou um ator", ressalta ele, que desde pequeno
era considerado engraçado pelos amigos. Três anos depois, o ator decidiu juntar
todos seus personagens. O resultado foi a peça. Com pérolas como "Teatro é lugar
para atores feios" e "Tia Penha não gosta de criança, gosta de dinheiro", a
produção conquistou os palcos paulistas e cariocas e em breve deve rodar o país
" Quero ir para o Nordeste, para o Sul e para Portugal", planeja.
Apesar do tino para a comédia, Marcelo é formado pelo Centros de
Pesquisas Teatrais, de Antunes Filho, e pelo Teatro Escola Célia Helena, em São
Paulo. O ápice da carreira humorística veio com o "Prêmio Multishow de Humor",
em 98, em que conquistou a estatueta de Melhor Ator por Sanderson, na categoria
"stand up comedy", aquela em que o ator usa somente o palco e um microfone para
entreter o público. Segundo ele, o título não foi um divisor de águas. "Acho que
ele me levou para um caminho", minimiza. Mas não se pode negar que o prêmio, já
conquistado por atrizes como Heloísa Perissé e Cláudia Rodrigues, tornou-se um
chamariz para os diretores de televisão. Depois dele, Marcelo foi para o SBT,
onde participou do humorístico "A Praça É Nossa", no qual fazia o paulista
Zóinho, e da novela "Canavial de Paixões", onde fez uma pequena participação.
Nesta época, recebeu um convite de Sílvio de Abreu para atuar em "As Filhas da
Mãe". Infelizmente teve que recusar o papel. "Sempre quis fazer uma novela do
Sílvio", confessa.
Quase dois anos depois, veio o segundo convite. Aceito. Na construção de Fládson, Marcelo foi zeloso para que o personagem não virasse alvo de galhofas.
Para tanto, conversou com uma fonoaudióloga. "A gagueira é uma fragilidade. A
relação de domínio da mãe", explica." Ele não foi feito para ser engraçado",
enfatiza Marcelo. Da experiência em tevê, ele tira uma lição. "Se não fizesse
uma novela de Sílvio de Abreu, seria um frustrado", admite.
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