Fora do Ar
“O Sistema”,
nova série da Globo – Foto 1: Graziela Moretto e Selton Mello; Foto 2:
Selton Mello, Maíra Dvorek, José Lavigne, Gregório Duvivier e Lúcia
Bronstein; Foto 3: Zezé Polessa; Foto 4: Betty Gofman e Ney Latorraca.
Fotos: Divulgação – Data: 17/10/07 – A menção dos créditos é obrigatória
Paranóias modernas
Série “O Sistema” mistura ação, comédia e suspense
Por Fabíola Tavernard
PopTevê
O
homem não foi à Lua. John Lennon não morreu. Todos são constantemente
vigiados e controlados e vítimas de uma conspiração. Estas são apenas
algumas hipóteses levantadas pela série “O Sistema”. Escrita por
Fernanda Young e Alexandre Machado, a história atemporal será dividida em
seis episódios que serão exibidos sempre às sextas-feiras, a partir de 2 de
novembro, na Globo. “A idéia partiu da idéia de que somos vítimas do
sistema. É a paranóia do mundo moderno”, explica a autora, que
mistura ação, comédia e ficção científica na série.
Com direção de José Lavigne,
a trama começa quando três vítimas do sistema, Trash, de Lúcia Bronstein,
Paca, de Maíra Dvorek, e Avenarius, de Gregório Duvivier, se revoltam ao
perceberem que foram “excluídos” da burocracia do mundo atual.
Por alguma razão que eles desconhecem, tiveram seus documentos cancelados,
dados bancários apagados, e serviços como água e luz cortados. Diante disso,
formam o grupo dos sabotadores, que se empenham em incomodar o andamento “normal”
das coisas – desde ativar todos os alarmes de uma loja a interromper uma
sessão de cinema para falar mal do sistema. “Estamos fazendo uma coisa
com a qual todos se identificam de alguma forma”, adianta o diretor.
Ao
reconhecerem mais uma vítima – o fonoaudiólogo Matias, de Selton Mello –, os
sabotadores se juntam a ele para desvendar vários “mistérios da humanidade” e os “segredos”
de uma empresa de call center, a Sachen Lächerlich, presidida por Katedref,
“vilão” da história vivido por Ney Latorraca. “Comecei
no teatro e, quando fui para a Globo, as pessoas diziam que eu tinha me
vendido para o sistema. Mas precisava ganhar dinheiro”, ironiza Ney.
A série vai tratar de
assuntos que costumam incomodar as pessoas. Afinal, de uma forma ou de
outra, todos estão enquadrados no tal “sistema”. “Vamos
mostrar que o sistema varia de acordo com cada indivíduo. Para nós, por
exemplo, poderiam ser os críticos”, diverte-se Alexandre Machado,
que acatou a idéia de Selton Mello de escalar atores jovens e desconhecidos
para os episódios. “As novelas têm uma escalação muito viciada.
Procuramos fugir do óbvio e buscar caras novas Brasil afora”,
pondera Selton.
Além
dos rostos desconhecidos, estão no elenco Zezé Polessa, como Valquíria,
Graziella Moretto, como a operadora de telemarketing Regina, sua chefe,
Greta, de Betty Gofman, e Maria Alice Vergueiro como Leda. “Estou
tendo a oportunidade de falar coisas que sempre quis”, comemora a
atriz de 72 anos.
Outro trunfo da série para o
diretor é a liberdade de improvisação. José Lavigne diz que há blocos
inteiros nos quais os atores desenharam os diálogos a partir do contexto. E
que foram incorporados ao texto final. “Fazíamos cenas enormes sem
cortes, apenas deixando fluir. E duvido que alguém perceba isso”,
desafia.

Com cara de superprodução, figurino com tendências dos anos 80, gravações que foram dos estúdios do Projac a Londres, na Inglaterra – por sinal, a cidade mais monitorada do mundo – e um elenco afiado, “O Sistema” pretende disputar um espaço na grade de programação da Globo em 2008. Mas Fernanda Young se apressa em garantir que tal “conquista” não é prioridade. “Tomara que haja outras. Mas ninguém vai sofrer se isso não acontecer. Não é vital”, esnoba ela, confessando que tem seus “delírios” em relação ao sistema: “Sempre acho que fiz algo errado, mas não sei o quê”, diz..
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