Dia a Dia
A coleção de discos de vinil de André Barros, o Joel de "Celebridade" - Fotos:
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Data: 11/02/04 – A menção dos créditos é obrigatória
Herança musical
por Cintia Lopes
PopTevê
André Barros tornou-se colecionador por acaso. O ator, que interpreta o "capachão"
Joel em "Celebridade", na verdade herdou nada mais que 500 LPs do pai, o
intelectual, político e jornalista Paulo Alberto Monteiro de Barros, mais
conhecido como Artur da Távola. Desde que passou a morar sozinho no apartamento
da família em Ipanema, Zona Sul do Rio, André ocupa boa parte de sua espaçosa
sala com a coleção de discos de vinil. E é uma coleção bem eclética: clássicos
da MPB, Jazz, rock e algumas raridades como o LP "Seleções na Copa do Mundo de
1962", em que o locutor Waldir Amaral narra as partidas do torneio em que o
Brasil se sagrou bicampeão. "E está até autografado", gaba-se André. Também
fazem parte das raridades, a coletânea de singles "Povos e Países", que inclui
canções típicas de vários países, e um exemplar do "The Big Boy Show", disco que
reúne músicas dos anos 70, selecionadas pelo primeiro DJ moderno do país, Big
Boy – e que é, sem dúvida, um dos preferidos do ator. "Encontrei esse disco por
acaso. Foi durante uma festa aqui em casa e fez o maior sucesso", conta.
O ator é o que se pode chamar de um colecionador atípico. "Costumo dizer que não
tenho uma coleção, e sim um 'vai ficando'. Estou apenas guardando parte do meu
passado", filosofa. Para comprovar a tese, André está longe de ser organizado e
metódico como a maioria dos colecionadores. "Não quero ter preocupação que não
seja de trabalho. Por isso, se o hábito de guardar esses discos virar um
problema, sou capaz de desistir", explica. Mesmo assim, o ator não esconde que
tem catalogou o acervo. "Só não está na ordem certa", entrega ele, que após a
reforma na casa não teve tempo de arrumar a coleção. Para André, um verdadeiro e
típico colecionador de vinil é o cantor Ed Motta. "Ele possui vitrolas
maravilhas e tem um cuidado extremo. Bem diferente de mim", compara, antes de
emendar. "Sou do tipo que incentiva o pessoal a vasculhar os discos. Com isso,
eu também vou descobrindo as raridades", ensina.
André dá um forte argumento para não ser acusado de preciosismo. "Até esqueço
quando alguém leva um disco e não devolve mais", jura. Mas nem por isso o ator
deixa de escutar os discos. "Talvez seja um dos únicos da minha geração que
escute música de LP", acredita o ator de 38 anos. Tanto que André quase não
possui CDs em casa. "Acho desnecessário. Apenas gravo em CD as músicas para
escutar no carro", conta. Mas nada comparado ao fato de ouvir o som da vitrola.
"É quase um ritual ouvir o disco com aquele chiadinho", garante.
Além da coleção de LPs, André também herdou do pai o gosto pela música. Ele, que
nasceu em Santiago, no Chile, durante o exílio de Artur da Távola, em 1965,
passava horas ouvindo os singles coloridos na pequena vitrola em companhia do
irmão, Duda Monteiro. "Aqui em casa era uma festa. Até hoje tenho esses discos
infantis. Todos arranhados", conta, entre risos. Se não bastasse a convivência
em família, o ator lembra que chegou a conhecer a cantora Nara Leão na infância.
Até porque o pai é padrinho de Bel, filha da cantora. "Ficávamos muito na casa
da Nara. Ela até levava a gente para nadar no Flamengo", relembra. Por isso
mesmo, André confessa ter uma recordação especial quando escuta os discos da
cantora.
Hoje em dia, o chiado da vitrola ajuda o ator a decorar os texto de
"Celebridade". "Gosto de escutar música na parte da manhã", conta. É ao som da
dupla Toquinho e Vinícius que André costuma estudar os capítulos da novela de
Gilberto Braga. Na pele do inescrupuloso Joel, assecla do ganancioso Renato
Mendes, vivido por Fábio Assunção, o ator conta que se diverte bastante. "O
interessante é ver, através do personagem, como tem gente que valoriza esses
pequenos poderes para subir na vida", acredita. André também atuou nas
minisséries "Anos Rebeldes", de 92, "Labirinto", em 98, e na novela "Força de Um
Desejo", exibida em 99. Nestes dois últimos trabalhos, o ator também era
parceiro de Fábio Assunção. "Acredito que o público esteja gostando. Mesmo
fazendo um mau-caráter, as pessoas me abordam com simpatia", jura.
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